Instituto Jonia Ranali

Instituto Jonia Ranali
Instituto Jonia Ranali

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Você tem um amante?

Existem pessoas que apresentam alguns sintomas, como insônia, depressão, apatia, que tem uma vida sem graça, que não sentem como ocupar o tempo livre, que já perderam em tudo, as esperanças, e depois de escutá-las, apesar de não dizer, e isso será dito com o tempo, com as interpretações que vão sendo feitas, percebo que “precisam” de um amante.

Mas, o que é ter um amante? É tudo aquilo que nos apaixona e toma conta de nosso pensamento várias vezes por dia, e que nos mantém distraídos do que acontece a nossa volta, é o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Por vezes encontramos nosso amante num parceiro, outras em quem mesmo não sendo um parceiro, nos desperta emoções descontroladas e loucurinhas, mas também podemos encontrá-lo em tudo que nos faça bem, e em que empregaremos nossa libido, como a música, a política, se for o caso, uma amada religião, no trabalho caritativo, no esporte, no nosso ganha pão, quando ele é uma profissão que muito nos satisfaz, no estudo, ou no prazer com um hobby muito querido, em seu animal de estimação, no cuidar, regar, falar e colocar música para suas plantas, e tenha-as em grande número em sua casa, pois a energia ficará muito boa.

É algo que nos faz namorar a vida, e que nos afasta da tristeza, da depressão, dos vícios, do tomar remédios para dormir, porque o dia não foi prazeroso, do passar de consultório em consultório médico, tomar uma gama de remédios, olhar longamente e com dor, cada ruga que nos aparece, aborrecer-se com o tempo, esteja ele como estiver, adiando possibilidades de gozar o hoje, achando que iremos achar algo melhor amanhã, é enfiar-se debaixo do cobertor o domingo todo, como válvula de escape para suas frustrações, esperando algo que não vem, pois a felicidade está dentro de nós e é feita de pequenas coisas.

Arrumem ”um amante” hoje para que a vida tenha sentido, fique gostosa de viver, que tenha sabor de “quero mais”, não importa quem ou o que seja.

Seja feliz hoje, e não jogue para depois.

Isso chama-se, em Psicanálise, mudança de comportamental, e por vezes é algo feito, de início, um pouco forçado, para depois tornar-se um hábito muito saudável, que nos trará felicidade e plena realização.

Não se contente em “ir levando” e procure o protagonista da sua vida, pois o trágico é desistir de viver, e para estar satisfeito, ativo, sentir-se sempre jovem e feliz É PRECISO NAMORAR A VIDA.

Jonia Ranali

Drogas – que “droga”


A droga campeia a solta, e está na raiz da criminalidade e da crueldade. É talvez, na nossa atualidade sociológica, o maior adversário da criatura humana, porque a sua incursão leva-nos a uma situação calamitosa, pois a droga leva a loucura pela degenerescência dos neurônios cerebrais, ao crime e ao autocídio.

Então, poderíamos perguntar: “Qual a necessidade da droga para que um ser humano possa assumir a sua identidade, a sua realidade? Terá que para tanto tomar uma substância química que trás prazer, só na ilusão?”
Ela é uma ilusão, porque a droga é como a água do mar: não mata a sede e quanto mais é sorvida, mais sede dá, porque é salgada.

Vejam: agora a maconha, depois a cocaína, logo depois o anabolizante, depois o estimulante químico, depois o crack, a picada, a aids e depois a degenerescência cerebral. Pagar para suicidar-se é o máximo da ignorância.
Está chegando a hora de nós, jovens, maduros e idosos, tomarmos uma decisão: não adianta prender o traficante, porque existe o traficante por causa da figura do consumidor. Se deixarmos de consumir, desaparecerá a figura do traficante. Os jovens tentam agredir os pais e a sociedade usando drogas, mas agridem-se a si mesmos, efetuado um ciclo ao qual o grande Freud, o último dos iluministas chama de “pulsão de morte”.

E, qual é a melhor política? Aquela de perseguir o traficante , prende-lo, sabendo que comanda de dentro do presídio e que daqui a pouco estará novamente nas ruas, OU EDUCAR?
A grande tarefa é a da educação, da comunicação, da convivência , do diálogo honesto entre pais e filhos. Devemos dizer à juventude que esta é uma oportunidade de desenvolvimento de aptidões, depois de realizações e mais tarde colher o fruto sazonado da experiência humana.

Para sermos verdadeiros homens e mulheres não precisamos de estímulos externos, de fugas psicológicas, e para sermos cidadãos só necessitamos valorizar o desafio da vida que É O NOSSO AUTOCONHECIMENTO. É necessário assumir que somos fracos, assumir as nossas deficiências e os nossos valores positivos. Para sermos alegres não necessitamos de estímulos físicos.

Os pais devem dar-se aos filhos, e dar menos coisas materiais. Não adianta perguntar para a empregada: “Ele acordou”?, “Ele dormiu”?, “Ele comeu”?. NÃO. É preciso estar presente para ver se ele dormiu, se ele acordou, se ele comeu.
A melhor maneira de dar amor, é conviver. Porque é fácil dar coisas materiais e não DAR-SE .
PAIS, educadores, amigos, prestem atenção: sempre podemos fazer um pouco mais. Vale a pena fazer um pouco mais, suportar os desafios, e ver que a vida é colorida sem necessidade de DROGAS, mostrando isso a seus filhos, e principalmente estando junto a eles em todos os momentos, até em suas necessidades, até nas coisas erradas que eles possam fazer. 

Certa vez, quando meus filhos eram adolescentes, meus dois rapazes chegaram a mim e disseram: “Mãe, nós fizemos uma coisa errada. Como vamos consertá-la?”. E enquanto isso falavam, já estavam incluindo-me no círculo do conserto da burrada, pois sabiam que eu estava junto para o que desse e viesse.
Mostrem isso a seus filhos. Mas, de verdade, do fundo do coração de vocês, para não chorarem mais tarde, quando os perderem para a DROGA. 


Jonia Ranali

Estresse em crianças, bebês e fetos



Sabe-se hoje que o desenvolvimento de bebês e crianças é afetado principalmente pelo estresse.
Estudamos e falamos muito sobre bebês, mas só na parte física, médica: seu corpinho, como cuidar dele, a qual médico pediatra levar, como deve ser, de preferência, um parto, e assim por diante. Porém, são ainda pouco conhecidos os fatores emocionais que podem atrasar o desenvolvimento infantil. 

Problemas emocionais podem causar estresse em fetos, recém-nascidos e crianças pequenas. 

Podemos enumerar uma série deles, começando pela vida intra-uterina: um bebê precisa ser desejado, ter um lar estabilizado, com pai e mãe, segurança financeira, certeza de ter um seguro de saúde, que o emocional dos pais esteja equilibrado e que estes não briguem na frente dos filhos. Se houver alguma coisa a resolver, é preciso manter a calma.
Pesquisas feitas nos mostram que, de cem crianças pesquisadas, noventa e seis viviam expostas a pelo menos uma situação de estresse, e isso leva a um atraso mental que poderá ser menor ou maior dependendo do grau ou intensidade da situação. 

Podemos citar o que prejudica e situações estressantes para um bebê: brigas entre a mãe e o pai, com ou sem agressão física; ter a família abandonada pelo pai; ter pouco contato com a mãe; ser cuidado só pela mãe (pais separados, morte do pai ou mães solteiras) e dormir na cama dos pais.

Quando já foi detectado um atraso, deve-se fazer uma imediata intervenção, como, por exemplo, transformar a hora do banho ou das refeições em momentos de proximidade com a criança, cheios de conversa e muita brincadeira. Existe uma maneira certa de aprender a lidar de forma adequada com os problemas emocionais de bebês e crianças e mais atualmente, em uma abordagem “de ponta” com embriões e fetos, em sua vida intra-uterina.

Sabendo desses pormenores, mamães e papais poderão proporcionar um bem-estar maior e vida emocional saudável para seus rebentos. 

Jonia Ranali

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

RELACIONAMENTOS AFETIVO-SEXUAIS MAIS ESTÁVEIS


"Você pertence a mim e eu
pertenço a você, no amor.
Mas eu sou eu, e você é você.
Independentemente, compartilhamos
nossas vidas juntos."

Susan Polls Schutz


O casamento é uma meta a que todas as pessoas almejam. Mas, na atualidade, com a primeira frustração em relação à pessoa amada, os casais partem para a separação. E se se unirem novamente, repetirão as mesmas falhas e as frustrações irão ficando cada vez maiores.

Um dos principais fatores que precipitam esses acontecimentos é o fato de que sempre nossos pais nos frustram em algumas ou muitas coisas. Crescemos, casamos e quando se repetem as frustrações com nossos cônjuges, é como se elas batessem naquela tecla inicial. Um acontecimento que poderia ser superficial ou periférico, e que uma boa conversa "entre adultos" resolveria, fica tremendamente potencializado pelo passado.

O ideal seria resolver esses relacionamentos infantis. Esse é o grande campo de atuação da Psicanálise: solucionar as causas para que não tenhamos mais problemas atuais.

Existem alguns truquezinhos que podemos usar para que os relacionamentos não ruam. Um deles é que cada um dos cônjuges tenha atividades no trabalho ou em seu lazer extremamente prazerosas. Tendo prazer em suas realizações, os casais tornam-se mais tolerantes, menos exigentes e usufruem o que há de bom na união. Pessoas realizadas profissionalmente são, em geral, dóceis e pacientes.

O segundo "truque" se constitui nos hobbies. Mesmo tendo realizações no trabalho, é interessante nos dedicarmos a algo que nos satisfaça muito, principalmente quando é algo ligado ao nosso físico: uma ginástica localizada, um jogo de futebol, vôlei, ioga, caminhadas, andar de bicicleta. É muito importante estarmos voltados a causas maiores e prazerosas, além de tomarmos um bom cuidado com a parte alimentar.

Quando estamos satisfeitos com nossos corpos, com o que estamos fazendo de nossas vidas, quando nos admiramos e nos respeitamos, sem exageros, já estamos com mais de meio caminho andado para sermos compreensivos, tolerantes e bons ouvintes para nossos cônjuges. Seremos, também, capazes de incentivá-los a tentar fazer ou a fazer o mesmo que nós, porque não estaremos depositando neles as nossas expectativas de realização. Assim, os cônjuges tornam-se mais maduros e tolerantes com a limitação do outro e as necessidades de colocarem no companheiro suas expectativas de realizações ficam bem reduzidas.

O mundo atual, muito competitivo, leva-nos a frustrações excessivas e as pessoas que nós mais sobrecarregamos são as mais próximas, começando pelos cônjuges. Tendemos a esperar que estes satisfaçam nossas expectativas de realizações, como se eles pudessem preencher nossos vazios.

A ciência Psicanálise nos explica que esses vazios, buracos, depressões, são oriundos da nossa infância. Costumo dizer que, se quisermos ir para frente e ter realizações em todos os setores da vida, precisamos voltar à infância e resolver as frustrações que lá ficaram. Aí, sim, poderemos avançar com toda a firmeza, realizando-nos plenamente, inclusive no afetivo-sexual.

Os homens gostariam que suas esposas continuassem com o corpinho de solteira e ficam chateados quando as mesmas engordam na gravidez e depois têm, ainda, que repartir o tempo que era só deles com os bebês. A queixa maior das mulheres é da falta de compreensão e de diálogo por parte dos maridos. Elas querem continuar sendo "paparicadas" e acham que eles perderam a sensibilidade.

Esses fatores podem levar os casais à beira de uma separação. Cada um se recolhe para seu lado, sem tentativas de conversas, explicações, mútuas compreensões. Sequer os filhos são levados em consideração, como se crianças tivessem sempre que obedecer sem serem questionadas. A cada dia que passa, os casais menos se empenham em querer resolver e superar suas crises matrimoniais.

Separações são muito traumáticas e só deveriam ser levadas a cabo em casos extremos. Com decisões precipitadas sobre separações, daremos um péssimo exemplo para nossos filhos, em relação aos seus próprios vínculos amorosos: casamentos e separações precipitadas, a mesma falta de responsabilidade para com os filhos, que vierem a ter, podendo levá-los a descrença e a fuga de compromissos sérios, com medo de repetirem as atitudes paternas.

Percebe-se, na sociedade atual, mães que fazem também papéis que caberiam aos pais e vice-versa: filhos pequenos vendo suas mães separadas saindo com outros homens, e filhos mais velhos cuidando dos pequenos, papel que caberia ao pai.

Para que os cônjuges se mantenham unidos, é preciso humildade a fim de que cada um reconheça seus próprios erros. A palavra mais bonita de se ouvir, e que infelizmente está se tornando rara, é "desculpa". Se ela for seguida de "Eu errei. Vamos começar de novo?", melhor ainda. Devem os cônjuges ser bons companheiros, bons amantes, respeitarem-se e admirarem-se infinitamente além, é claro, de terem uma boa interação emocional. A cada dia que convivemos com nossos maridos/mulheres é um manancial de novas descobertas a respeito deles. Mas, para tanto, precisamos estar abertos para escutar, entender o que a outra pessoa está dizendo. Coração aberto é o principal. Hoje as pessoas não param mais para escutar as outras; estão avidamente esperando que o outro acabe de falar, ou até o interrompem, para falar de si mesmas. Tentem ler essas palavras com o coração, deixando que elas penetrem muito fundo em suas almas.

Jonia Ranali